BRICS em 2025: expansão histórica, iniciativas econômicas e por que o BRICS importa no cenário global

Introdução

O grupo BRICS, formado inicialmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, passou por transformações significativas até 2025. Com a entrada de novos membros e o fortalecimento de sua atuação geopolítica e econômica, o bloco se tornou um dos principais articuladores de uma nova ordem mundial. Este artigo explora  por que o BRICS importa no cenário global, considerando sua expansão, propostas financeiras, diplomacia internacional e impacto no equilíbrio de poder.

1. Um bloco em expansão e com representatividade crescente

Em janeiro de 2025, a Indonésia tornou-se oficialmente o 11º membro do BRICS, somando-se a outras adesões recentes como Egito, Etiópia, Irã e Emirados Árabes Unidos. Essa ampliação representa não apenas um aumento quantitativo, mas também qualitativo, pois fortalece a diversidade cultural, econômica e geopolítica do grupo. Com essa nova configuração, o BRICS agora reúne países que juntos representam mais de 50% da população mundial e cerca de 40% do PIB global (Reuters).

Além disso, mais de 30 nações demonstraram interesse formal em ingressar no bloco, o que revela o apelo que o BRICS exerce especialmente entre países em desenvolvimento que buscam alternativas às alianças dominadas pelas potências ocidentais.

Nome "Brics" escrito com as bandeiras dos países na suaformação original.

2. Soluções financeiras próprias e fortalecimento da soberania econômica

2.1 Fundo de Garantias Multilateral (BMG)

Uma das inovações mais importantes anunciadas em 2025 foi o Fundo de Garantias do BRICS, ancorado pelo Novo Banco de Desenvolvimento. Essa iniciativa busca alavancar investimentos privados em infraestrutura, energia sustentável e inovação, com base em garantias multilaterais. A estratégia é oferecer suporte financeiro sem que os países precisem aportar novos recursos de imediato, o que torna o modelo mais acessível e escalável (Moneycontrol).

2.2 Sistema de pagamentos BRICS Pay

Em paralelo, o BRICS Pay tem avançado como uma proposta concreta de sistema de pagamento que permita transações em moedas locais entre os países-membros. Essa medida é vista como parte do esforço de “desdolarização” do comércio internacional — um movimento que busca reduzir a dependência do dólar e aumentar a resiliência das economias frente a sanções e instabilidades cambiais (Reuters).

2.3 Reformas nas instituições multilaterais

Durante a cúpula de 2025 realizada no Rio de Janeiro, os ministros das Finanças do BRICS apresentaram uma proposta unificada de reforma do Fundo Monetário Internacional. O objetivo é aumentar as cotas de países em desenvolvimento e ajustar o poder de voto para refletir melhor o peso econômico atual dessas nações no cenário global (Reuters).

3. Clima, tecnologia e cooperação digital

O bloco também tem ampliado seu protagonismo em áreas como meio ambiente e tecnologia. Um dos destaques foi a proposta brasileira de criar o “Tropical Forest Forever Facility”, um fundo de US$ 125 bilhões voltado para a proteção de florestas tropicais. A iniciativa tem o apoio de países como China e Emirados Árabes e visa posicionar o BRICS como liderança climática no Sul Global (Aurummeum).

Na esfera digital, o grupo busca estabelecer regras comuns para o uso ético da inteligência artificial e a proteção de dados pessoais. As discussões abordam desde a soberania digital até os impactos da automação sobre o mercado de trabalho e os direitos civis (Reuters).

4. Diplomacia em tempos de tensão internacional

A Cúpula do BRICS em 2025 ocorreu em meio a um cenário internacional tenso, com conflitos no Oriente Médio e na Europa Oriental. Mesmo com ausências importantes — como a do presidente Xi Jinping, que enviou um representante —, o encontro resultou em uma declaração conjunta com críticas à concentração de poder nas mãos do Ocidente e apelos por reformas na governança global (AP News; The Guardian).

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, destacou temas como segurança alimentar, cooperação Sul-Sul, saúde global e o combate à desigualdade, buscando conciliar a diversidade de interesses entre os países do bloco e fortalecer o papel do BRICS como uma força de equilíbrio no mundo.

 

Chefes de Estado reunidos durante a Cúpula do BRICS 2025 no Brasil, representando os interesses estratégicos dos 11 países membros e destacando visualmente por que o BRICS importa no cenário global diante das transformações da ordem mundial.

5. O papel do BRICS no redesenho da ordem mundial

  1. Força econômica e demográfica: O BRICS reúne economias com grande potencial de crescimento e grande parte da população mundial, o que lhe confere peso nas negociações globais.
  2. Desdolarização estratégica: A promoção de pagamentos em moedas nacionais e a criação de instrumentos financeiros próprios demonstram a busca por maior soberania econômica.
  3. Reformas multilaterais: A defesa de mudanças em instituições como o FMI e a ONU mostra o compromisso do bloco com uma governança mais equitativa.
  4. Compromissos ambientais e tecnológicos: O envolvimento com pautas como proteção ambiental e inteligência artificial coloca o BRICS na vanguarda de questões emergentes.
  5. Diplomacia independente: A busca por soluções multilaterais e a valorização do diálogo entre países em desenvolvimento reforçam o papel do BRICS como contraponto ao G7.

6. Desafios e caminhos futuros

Apesar dos avanços, o BRICS ainda enfrenta desafios internos. A diversidade de regimes políticos e níveis de desenvolvimento dos países-membros exige habilidade diplomática para garantir a coesão do grupo. Além disso, o processo de ampliação precisa ser gerido com cautela para não comprometer a capacidade de decisão e a clareza estratégica do bloco (The Diplomat).

O equilíbrio entre interesses nacionais e objetivos coletivos será crucial para manter a relevância do BRICS na próxima década.

Conclusão

O BRICS de 2025 representa uma força renovada na arena internacional. Com uma agenda abrangente que vai da economia à sustentabilidade, passando pela transformação digital e o redesenho das instituições globais, o bloco afirma-se como ator indispensável. Não se trata apenas de um contraponto ao Ocidente, mas de uma proposta concreta de nova governança mundial. Por todos esses fatores, fica claro por que o BRICS importa no cenário global e continuará sendo um ator estratégico nos próximos anos.

Fontes

Rolar para cima