OCX 2025: a maior cúpula da história da organização

A 24ª edição da Organização para Cooperação de Xangai (OCX), realizada entre os dias 31 de agosto e 1º de setembro de 2025, na cidade chinesa de Tianjin, foi considerada a maior cúpula da história da organização. Com a presença de mais de 20 líderes internacionais e representantes de 10 organizações multilaterais, o evento consolidou a OCX 2025 e a nova ordem global como um marco na redefinição das relações internacionais.

Fundada em 2001, a OCX reúne países estratégicos da Eurásia e tem como pilares a segurança regional, a cooperação econômica e o diálogo político. A edição de 2025 destacou-se pela adoção da Declaração de Tianjin e pela apresentação da Estratégia de Desenvolvimento da OCX até 2035, com propostas que vão desde a criação de um banco de desenvolvimento até iniciativas em inteligência artificial, energia renovável e educação.

Contexto histórico e estrutura da OCX

A OCX surgiu como evolução do grupo “Cinco de Xangai”, formado por China, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão e Tajiquistão, com o objetivo de resolver disputas fronteiriças após a dissolução da União Soviética. Em 2001, com a inclusão do Uzbequistão, o grupo tornou-se oficialmente a Organização para Cooperação de Xangai.

Desde então, a organização passou por uma expansão significativa. A entrada da Índia e do Paquistão em 2017, e posteriormente do Irã e Belarus, ampliou o escopo geopolítico da OCX. Atualmente, a organização cobre cerca de 60% do território da Eurásia, representando quase metade da população mundial.

A estrutura organizacional da OCX é composta por diversos órgãos permanentes e rotativos:

  • Conselho de Chefes de Estado: principal órgão decisório.
  • Secretariado: com sede em Pequim, coordena as atividades administrativas.
  • RATS (Estrutura Antiterrorista Regional): com sede em Tashkent, atua na segurança e combate ao extremismo.

Organização para Cooperação de Xangai

Principais decisões da OCX 2025

Durante a cúpula de Tianjin, os líderes aprovaram 24 documentos estratégicos, entre eles a Estratégia de Desenvolvimento da OCX até 2035, que estabelece metas para segurança, economia, inovação e cooperação cultural.

Um dos destaques foi a proposta de criação do Banco de Desenvolvimento da OCX, que visa financiar projetos de infraestrutura e integração regional.

Além disso, foram anunciadas iniciativas como:

  • Centros de cooperação em energia, economia digital e ciência.
  • Expansão do uso de moedas locais nas transações comerciais.
  • Criação de plataformas educacionais e vocacionais.
  • Estabelecimento de mecanismos de combate ao crime organizado e cibersegurança.

A ênfase em soberania, multipolaridade e desenvolvimento sustentável foi recorrente nos discursos dos líderes presentes.

Impacto econômico e tecnológico

Com um PIB conjunto estimado em US$ 30 trilhões, a OCX representa a maior organização regional do mundo. Em 2024, o comércio entre China e os países membros cresceu 3%, atingindo RMB 3,65 trilhões. A tendência é de crescimento contínuo, especialmente com a ampliação de acordos bilaterais e multilaterais dentro do bloco.

A cúpula também destacou o papel da OCX na liderança tecnológica, com propostas para cooperação em inteligência artificial, energias renováveis e infraestrutura digital.

“O bloco tem potencial para liderar globalmente em IA e soluções inteligentes para saúde, transporte e gestão urbana.” — Kassym-Jomart Tokayev, presidente do Cazaquistão

Outro ponto relevante foi a criação de um consórcio de universidades e centros de pesquisa dos países membros, com foco em inovação e soberania digital.

Cobertura midiática e projeção internacional

A cobertura da OCX 2025 foi ampla e estratégica. O Grupo de Mídia da China (CMG) mobilizou mais de 760 profissionais para transmissões multilíngues e eventos culturais paralelos, , como a Semana de Cinema dos países membros. A comunicação institucional foi cuidadosamente planejada para reforçar a imagem de unidade e progresso.

A mídia internacional também destacou o evento. Segundo a Bloomberg, a presença de líderes como Vladimir Putin e Narendra Modi reforçou os laços entre China, Rússia e Índia, desafiando a hegemonia ocidental. A CNN e a Al Jazeera também cobriram a cúpula, destacando o crescimento da influência da OCX no Sul Global.

Além da cobertura jornalística, a OCX investiu em campanhas digitais e transmissões ao vivo nas redes sociais, alcançando milhões de espectadores em tempo real.

Dimensão geopolítica e cultural

A OCX 2025 foi marcada pela apresentação da Iniciativa de Governança Global, proposta por Xi Jinping, que defende uma ordem internacional mais justa, baseada em multilateralismo, respeito à soberania e inclusão. Essa iniciativa complementa outras propostas chinesas como a Iniciativa de Segurança Global e a Iniciativa de Civilização Global.

Culturalmente, a OCX promoveu intercâmbios educacionais, bolsas de estudo e oficinas técnicas. A criação da Universidade OCX e o apoio à juventude foram pontos altos da agenda.

A realização de fóruns paralelos sobre literatura, cinema, gastronomia e esportes também demonstrou o esforço da organização em construir uma identidade comum. A ideia de uma “comunidade de destino compartilhado” foi repetida em diversos discursos, reforçando o papel da cultura como ferramenta de diplomacia.

Desafios e perspectivas futuras

Apesar dos avanços, a OCX enfrenta desafios como tensões regionais, disputas comerciais e a necessidade de maior integração institucional. A diversidade de interesses entre países como Índia e China, por exemplo, exige habilidade diplomática e mecanismos de mediação eficazes.

A presidência rotativa de 2026 será assumida pelo Quirguistão, que promete dar continuidade às iniciativas de desenvolvimento sustentável e cooperação digital. Espera-se também o avanço na integração de novos membros e a consolidação do banco de desenvolvimento.

A OCX 2025 e a nova ordem global representam um esforço coletivo para construir um sistema internacional mais equilibrado, onde o diálogo e a cooperação substituam a confrontação e o hegemonismo. O sucesso dessa empreitada dependerá da capacidade da organização de manter a coesão interna e responder aos desafios externos com agilidade e inovação.

Conclusão

A 24ª edição da OCX foi um marco histórico que consolidou a organização como protagonista na redefinição da geopolítica mundial.

Com propostas ambiciosas e ações concretas, a cúpula de Tianjin mostrou que a OCX 2025 e a nova ordem global não são apenas conceitos, mas uma realidade em construção.

A organização segue ampliando sua influência, promovendo estabilidade, desenvolvimento e cooperação entre nações que buscam um futuro mais justo e multipolar. A OCX não apenas responde às transformações do mundo contemporâneo, mas também propõe caminhos alternativos para o futuro das relações internacionais.

Fontes utilizadas

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